Enquadramento

A produção de resíduos sólidos em Portugal tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos. Embora a produção de resíduos esteja relacionada com o padrão sócio-económico das populações, não pode ser considerado um indicador de desenvolvimento ou de qualidade de vida, principalmente em sociedades como a nossa, que depressa adquiriram a capacidade de produzir, mas não de tratar os seus resíduos.

Os resíduos orgânicos constituem aproximadamente metade do fluxo de resíduos produzidos. A compostagem surge assim como a solução óbvia, dando-lhes um destino útil, permitindo reduzir muito significativamente a quantidade de resíduos enviados para aterro. Não depositar em aterro a fração orgânica permite aumentar o tempo de vida deste para o dobro ou a construção de aterros com metade da capacidade.

A compostagem permite obter um composto orgânico que irá melhorar a estrutura do solo, devolvendo à terra os nutrientes de que necessita, aumentando a sua capacidade de retenção de água, permitindo o controlo da erosão e evitando o uso de fertilizantes sintéticos.

A compostagem é o processo de reciclagem da fração fermentável (matéria orgânica) dos resíduos. Este processo permite tratar os resíduos orgânicos domésticos e industriais, bem como os resíduos provenientes da limpeza de jardins e parques públicos.

Esta técnica não é recente, tem vindo a ser praticada pelos agricultores e jardineiros ao longo dos séculos. A matéria vegetal, o estrume, os restos de cozinha e outros tipos de resíduos orgânicos são amontoados em pilhas num local conveniente e deixados a decompor e estabilizar até estarem prontos para serem devolvidos ao solo ou até que o agricultor necessitasse de fertilizar o solo. A recente preocupação com a redução de resíduos levou a um renovado interesse na compostagem.

 

Em termos científicos, a compostagem pode ser definida como uma decomposição aeróbia de substratos orgânicos, em condições que permitam atingir temperaturas suficientemente elevadas. O aumento de temperatura surge como resultado da libertação de calor na degradação biológica dos resíduos orgânicos. O resultado deste processo é um produto final suficientemente estabilizado que pode ser aplicado no solo com várias vantagens sobre os fertilizantes químicos de síntese, a que se dá o nome de composto.